Presidentes de empresas apertam o cinto, mas mantêm investimentos

Desaceleração mais rápida que a esperada da economia leva empresas a serem mais cautelosas, mas cenário ainda não é ruim

Claudia Facchini, iG São Paulo | 12/08/2011 16:37
A desaceleração do consumo, que foi superior à esperada em alguns setores, está levando grandes empresas a adotarem uma postura mais conservadora. A grande vilã, seja para indústria de cosméticos ou para os fabricantes de cerveja, foi a inflação. A elevação dos preços reduziu a renda disponível para o consumo e fez com que as vendas de algumas categorias ficassem abaixo das expectativas.

A vendas de cerveja e refrigerantes da AmBev caíram, em volume, 1,3% no primeiro semestre no mercado brasileiro. A Gol precisou rever suas projeções devido à queda nos preços das passagens aéreas, enquanto as vendas da Natura ficaram abaixo das expectativas da empresa.

Para enfrentar o cenário mais adverso, os presidentes de grandes empresas de bens de consumo apertaram um pouco mais o cinto e estão buscando reduzir gastos correntes, mas dizem que ainda é cedo para desistir de investimentos na ampliação da capacidade de produção. São esses investimentos que irão garantir um crescimento nas vendas nos próximos anos.

“É hora de colocar o pé no chão”, afirma José Drummond Jr., presidente na América Latina da multinacional americana Whirlpool, fabricante no Brasil das marcas de eletrodomésticos Brastemp e Consul. “Não há mais lugar para euforia”, diz o executivo, referindo-se às taxas de crescimento de 20% vistas em 2010. Mas a Whirlpool, acrescenta, não planeja alterar seus planos de investimentos no Brasil.

Alexandre Carlucci, presidente da Natura, afirma que a desaceleração no segundo trimestre foi maior do que a companhia esperava.  "Esse é um ano de cautela”, diz o executivo, para quem o segundo semestre poderá ser, pelo menos, igual primeiro. Ainda é cedo para prever que será pior.

Assim como a Whirlpool, a Natura também não acredita que é hora de rever seus planos de investimentos, orçados em R$ 300 milhões para 2010. Mas a empresa está buscando fazer algumas economias em resposta à desaceleração das vendas.

Apesar de ter perdido velocidade, o consumo ainda não dá sinais de que irá estacionar ou, no pior dos cenários, de que começará a retroceder.

O mercado de linha branca, afirma Drummond, continua crescendo a taxas entre 5% e 10% neste ano, embora distante das taxas chinesas de 20% crescimento de 2010.


Segundo Carlucci, o mercado de cosméticos cresce 9% neste ano. O consumo desacelerou em relação aos 16% de expansão no ano passado, mas ainda assim está reagindo bem.


Atenção ao mercado interno

O governo deve redobrar sua atenção ao mercado interno e é esperado que a presidente Dilma tome medidas se as crises financeiras dos EUA e da Europa atingirem o País, como em 2008 e 2009. "A indústria brasileira vive do mercado interno. Esse é o navio que move o País", diz Drummond. “A redução do IPI para linha branca em 2009 foi uma experiência muito positiva e que pode ser retomada”, avalia o executivo.
Carlucci e Drummond estavam entre os emrpesários que participaram de um evento em São Paulo, na quinta-feira, realizado pela revista IstoÉ Dinheiro, e que contou com a presença do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

E ouviram da autoridade brasileira que o objetivo do governo será trazer a inflação de volta para 4,5% em 2012. Tombini também buscou tranquilizar os empresários ao reafirmar que o País está preparado para enfrentar um cenário econômico “mais complexo”.

FONTE: IG ECONOMIA - EMPRESAS

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