BC diz que o problema é de falta de oferta e não de demanda!!!

Na minha opinião, o BC soltou esta semana a ata da reunião do COPOM mais importante dos últimos 12 meses. Não pelas mudanças na política monetária, pois ele não sinaliza nenhuma mudança no curto prazo, mas pelo diagnóstico correto e preciso da situação atual.

http://www.bcb.gov.br/?COPOM172

Segue abaixo algumas partes extraídas da ata (em itálico) e meus pitacos logo em seguida:
20. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,05/US$ e da taxa Selic em 7,25% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2013 aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de novembro e se posiciona acima do valor central de 4,5% para a meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2013 também aumentou e se encontra acima do valor central da meta para a inflação. Para 2014, em ambos os cenários, a projeção de inflação está ligeiramente acima do valor central da meta.


BC afirma que, em alguns cenários e de acordo com seus modelos, as projeções da inflação para 2013 subiram e se encontram acima da meta.

26. O Copom pondera que o ritmo de recuperação da atividade econômica doméstica – menos intenso do que se antecipava – se deve essencialmente a limitações no campo da oferta. Dada sua natureza, portanto, esses impedimentos não podem ser endereçados por ações de política monetária, que são, por excelência, instrumento de controle da demanda. A propósito, não obstante a fragilidade do investimento, que reflete, em grande parte, o aumento de incertezas e a lenta recuperação da confiança, a demanda doméstica continuará a ser impulsionada pelos efeitos defasados de ações de política monetária implementadas recentemente, bem como pela expansão moderada da oferta de crédito, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas. O Comitê entende, adicionalmente, que a atividade doméstica continuará a ser favorecida pelas transferências públicas, bem como pelo vigor do mercado de trabalho, que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários, apesar de certa acomodação na margem.
O BC está surpreso com o PIBINHO persistente, porém ele reconhece, como já comentamos algumas vezes nesta coluna, que o problema é de falta de oferta e não na demanda, ou seja, o investimento não cresce. E na opinião do BC, não adianta baixar ainda mais as taxas de juros para tentar resolver este problema. Ou seja, a política monetária como instrumento de estímulo, chegou ao seu limite.


27. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Nota que a geração de superavit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidificará a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto e a percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo.

O BC afirma que trabalha em suas projeções com a manutenção dos superávits fiscais atuais. Ou seja, se superávits caírem, inflação futura sobe. Logo, o governo tem pouco espaço para expandir gastos ou reduzir impostos sem que isto afete ainda mais o precário equilíbrio entre oferta e demanda e faça a inflação subir ainda mais.



28. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito.
O BC aqui também menciona que assume um crescimento gradual do crédito, ou seja, se crédito crescer mais rápido, inflação sobe.



29. O Copom avalia que a maior dispersão, recentemente observada, de aumentos de preços ao consumidor e a reversão de isenções tributárias, combinadas com pressões sazonais e pressões localizadas no segmento de transportes, tendem a contribuir para que, no curto prazo, a inflação se mostre resistente.
O BC aqui reconhece que a inflação é mais generalizada e que, no curto prazo, ela está resistente, como temos dito nesta coluna.



30. O Copom ressalta que o cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste ano e riscos limitados, mas que recentemente se intensificaram, de descompasso, em segmentos específicos, entre as taxas de crescimento da oferta e da demanda. O Comitê destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, apesar dos sinais de moderação nesse mercado, e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação. Por outro lado, observa que o nível de utilização da capacidade instalada se encontra abaixo da tendência de longo prazo, ou seja, está contribuindo para a abertura do hiato do produto e para conter pressões de preços. Além disso, importa destacar que as perspectivas para os próximos semestres apontam moderação na dinâmica dos preços de certos ativos reais e financeiros.
Este é, na minha opinião, o parágrafo mais importante da ATA. Ele re enfatiza o problema do descompasso entre o crescimento da demanda e da oferta. Ele destaca que o mercado de trabalho está apertado, e que há risco, portanto, de aumentos dos salários reais acima do aumento da produtividade, como temos mencionado em outros posts, e que representa um risco de alta da inflação futura.



34. O Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos das ações de política recentemente implementadas, que, de resto, são defasados e cumulativos. Para o Comitê, esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, os estoques em níveis ajustados e a gradual recuperação da confiança dos empresários criam perspectivas de retomada dos investimentos. O Comitê pondera que iniciativas recentes apontam o balanço do setor público em posição expansionista. Por outro lado, o Comitê nota que se apresenta como fator de contenção da demanda agregada o ainda frágil cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas.

Aqui o BC levanta algumas outras hipóteses usadas por ele para manter a política atual de manutenção dos juros:
a. o cenário internacional continuar frágil;
b. o BNDES com sua política parafiscal ( já comentei sobre isto) não seja ainda mais expansivo;
c. e que preços dos ativos internacionais ( este é o código que BC usa quando quer falar da taxa do dólar / R$ ) não subam mais;
Se estas coisas mudarem, tudo muda. Ou seja, o dólar não sobe mais enquanto a inflação seguir em alta.



31. Em resumo, o Copom destaca que o balanço de riscos para a inflação apresentou piora no curto prazo e que a recuperação da atividade doméstica foi menos intensa do que o esperado, bem como que certa complexidade ainda envolve o ambiente internacional.

Aqui ele dá o tom final: temos uma piora na inflação com um pibinho que não decola.
E o diagnóstico é claro: o problema não é de falta de demanda , mas sim de falta de oferta. E oferta aumenta com mais produtividade, capital físico e capital humano. Como no curto prazo fica difícil aumentar o capital humano e a produtividade, só nos resta torcer para que o capital físico suba através de mais investimentos, como tenho dito nesta coluna.

FONTE: IG COLUNISTAS - RICARDO GALLO

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