Rentabilidade, liquidez ou segurança: como decidir onde investir?

A resposta parece fácil, afinal todo mundo quer uma aplicação que seja rentável, com alta liquidez e segura. Entretanto, no mundo real, dificilmente existirá um investimento que atenda plenamente a estas três características.
 

Rentabilidade, liquidez ou segurança: como decidir onde investir?



A decisão sobre onde investir seu dinheiro passa pela análise desses fatores, aliado aos seus objetivos financeiros e o prazo para alcançar cada um deles.
O objetivo deste artigo é apresentar quais os melhores ativos para cada uma dessas características e mostrar como uma má escolha pode transformar seu investimento numa furada.



Rentabilidade

No caso da rentabilidade, os ativos que possuem essa característica de forma mais acentuada são de renda variável (ações e fundos de índice, por exemplo), e, por isso, também costumam oferecer um risco maior (menor segurança).
O mercado de ações é um ótimo investimento e pode oferecer uma boa rentabilidade no longo prazo.
Entretanto viver do mercado financeiro pode ser uma decisão arriscada, pois se essa é sua única fonte de renda, um passo em falso pode por tudo a perder, considerando que esses ativos não possuem o fator segurança.
Como já falei em outros artigos, mesmo quem se diz muito conservador deveria ter um pouco de renda variável em sua carteira, ainda que em pouca proporção, para que ele possa procurar boa rentabilidade de outras aplicações.
A mesma regra vale para os investidores mais arrojados. Eles também deveriam ter uma parcela em renda fixa para garantir uma reserva financeira.
Os investimentos em imóveis têm se mostrado uma boa opção para os que desejam ter uma boa rentabilidade. Mas é importante se atentar ao fato que é mais difícil vender um imóvel do que uma ação, ou seja, você tem baixa liquidez.



Segurança

Já para os que não desejam se arriscar muito no mercado de renda variável e preferem ficar com uma segurança maior, em detrimento de uma maior rentabilidade, a melhor opção são os títulos do Tesouro Direto, que possuem o risco de crédito mais baixo do mercado, já que são garantidos pelo Governo.
Para o curto prazo, a poupança também pode ser interessante, desde que a aplicação não ultrapasse R$ 70 mil – limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito em caso de quebra do banco.
A poupança combina bons níveis de segurança com alta liquidez, mas deixa a desejar pelo fator rentabilidade, devido às baixas taxas de juros.
Desde o dia 4 de maio de 2012, o Copom (Comitê de Política Monetária) alterou as regras de rentabilidade da poupança: enquanto a taxa Selic estiver em 8,5% ao ano ou menos, a poupança passa a remunerar seus aplicadores com 70% da taxa SELIC mais a TR (Taxa Referencial).
Na última reunião de 2012, o Copom decidiu manter a taxa Selic em 7,25% ao ano. Com a taxa de juros neste patamar, o rendimento mensal da poupança fica em 0,41% mais TR, o que reforça o baixo rendimento atual da caderneta.



Liquidez

É sempre importante ter um investimento com um bom nível de liquidez. Em casos de emergência, nos quais o investidor precisa do dinheiro com urgência, essas aplicações podem servir como salva-vidas.
A poupança, por exemplo, além de oferecer segurança também proporciona liquidez.
Outra aplicação que garante uma liquidez elevada é o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que também possui garantia do FGC até R$ 70 mil.
A liquidez deve fazer parte das prioridades de quem tem compromissos de curto prazo, porque, talvez, o dinheiro precise ser retirado com certa urgência.
Uma aplicação que consegue reunir uma boa dose destes três pontos são os títulos públicos do Tesouro Direto. Afinal, os títulos públicos têm segurança absoluta, liquidez semanal e boa rentabilidade. Além disso, existem títulos de diferentes modalidades que podem ser priorizados dependendo da atual situação da economia.



Péssimas escolhas de investimento

Por não considerarmos as taxas cobradas em cada aplicação, escolher apenas pela rentabilidade passada ou não tomar decisões levando o prazo em consideração, muitas vezes escolhemos aplicações que são verdadeiras furadas.


Vamos ver alguns exemplos:

1) Títulos de capitalização

Eles são tão ruins que nem valeria muito a pena comentar sobre eles. Além de não render absolutamente nada, há casos onde o “investidor” perde parte do dinheiro aplicado.
O problema é que algumas pessoas estão confundindo títulos de capitalização com títulos públicos. E não têm absolutamente nada a ver.
Para saber mais sobre esta aplicação, leia o artigo Entenda como funciona os títulos de capitalização.

 

2) Fundos com altas taxas de administração

É até difícil recomendar um valor até o qual você deveria pagar por essas taxas, dado que o investimento em títulos públicos (renda fixa) e fundos de índice (renda variável) possuem taxas de administração baixíssimas.
O especialistas costumam dizer que 3% a.a. deve ser a taxa máxima para um fundo de ações, ao passo que a taxa máxima para um fundo de renda fixa deveria ser 1,5% ao ano.
Para mais detalhes, recomendo a leitura do artigo Por que não investir em fundos de investimento.

 

3) Planos de previdência caros ou para objetivos de curto prazo

Antes de optar por um plano de previdência, é essencial observar a taxa de administração e taxa de carregamento. A primeira não pode ser superior a 2%, enquanto a segunda não deve ser cobrada.
Além disso, um plano de previdência privada deve ser escolhido para objetivos de longuíssimo prazo (superior a 10 anos). Qualquer coisa diferente disso é perda de dinheiro, até por conta do imposto de renda que incide sobre essa aplicação.
Para saber mais, leia este texto sobre Previdência Privada.

 

4) Poupança para o longo prazo

Quem aplica na poupança, deveria buscar segurança e liquidez. Entretanto não é necessário ter alta liquidez quando o foco é o longo prazo.
Além disso, a alíquota do imposto de renda é reduzida para 15% após 2 anos de aplicação, de modo que uma das maiores vantagens da poupança (isenção do IR) perde seu valor.

 

5) Mercado de ações para o curto prazo

Quem investe em ações certamente está em busca de uma rentabilidade superior à renda fixa. O problema é que existe um risco envolvido neste mercado, de modo que os preços dos ativos variam bastante no curto prazo.
O investimento em renda variável deve ser feito para objetivos de longo prazo.
Em 2012, o Ibovespa, principal índice de referência da Bolsa, rendeu 7,4%, não muito mais do que a poupança antiga. Mas, no longo prazo, nos últimos dez anos (de 23/01/2003 a 23/01/2013) o Ibovespa teve alta de 452,69%. No mesmo período, a poupança rendeu 114,83%.

 

6) Pirâmides

Outro péssimo investimento é entrar nos vários esquemas em pirâmide disponíveis no mercado. Também chamado de marketing multinível, esses esquemas só servem para enriquecer quem está no topo.
Para saber mais, recomendo a leitura do artigo Marketing Multinível: como identificar esquema em pirâmide.

 

Conclusão

Este artigo é mais uma prova de que não existe o melhor investimento. Afinal o investimento tem que se adequar ao seu perfil do investidor, objetivos financeiros, prazos e tolerância a riscos.
Outra dica muito importante é não utilizar (apenas) a rentabilidade passada para escolher uma aplicação financeira. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.
Se você observar a rentabilidade da NTN-B Principal 150535, nos últimos 12 meses, vai se assustar com o resultado: 53,41% (em 25/01/2013, data em que o artigo foi escrito). Por se tratar de um ativo de renda fixa, obviamente é um resultado totalmente atípico e dificilmente se repetirá.

Até a próxima!


Publicado em 28.01.2013 por em Educação Financeira

Imagem de Rafael Seabra

Rafael Seabra é educador financeiro, MBA em Finanças pelo Ibmec, editor do Quero Ficar Rico, um dos sites de maior audiência do país na área de Educação Financeira, e autor do livro Como Investir Dinheiro.


FONTE: Quero ficar rico - educação financeira




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

COMO CONVERTER CRUZADOS EM REAIS?

MODELO DE CARTA DE APRESENTAÇÃO (EMPRESARIAL)

Como tirar o registro profissional(Mtb) - Jornalistas