6 Problemas da Previdência Privada

A previdência privada, ou previdência complementar, é uma modalidade de aplicação financeira cujo principal objetivo é garantir uma renda mensal no período em que você quer parar de trabalhar, por algum motivo especial, ou simplesmente deseja se aposentar.
6 problemas da previdência privada

Esses planos foram criados como forma de transferir a responsabilidade pelo pagamento das pensões, que antigamente eram assumidas pela empresa, para os trabalhadores.
Funcionava assim: antigamente, você combinava um valor que queria receber na aposentadoria e a empresa estipulava o valor do pagamento mensal. No momento da aposentadoria, começava o recebimento.
Agora o processo é o seguinte: você faz os depósitos e, de acordo com o que depositar e o rendimento que o dinheiro receber, você começa a sacar desse fundo (total ou parcialmente) ou, em algumas situações, transfere todo o dinheiro acumulado para a empresa de previdência em troca de uma renda mensal.
 
 

Problemas da previdência privada

O objetivo deste artigo não é explicar a previdência privada com detalhes. Até porque temos um material muito mais completo sobre previdência privada.
O propósito desde artigo é discutir 6 problemas para os quais os olhos devem estar sempre abertos. Antes de optar por um plano, tenha esta discussão sempre em mente:
 
 

Problema 1: Eles não são adequados para investir dinheiro no curto prazo (até 10 anos)

O caso mais comum é o de investidores quem perguntam ao gerente qual a melhor aplicação para um dinheiro que vai ficar parado por cerca de três a cinco anos.
Objetivando atingir as metas das instituições, o gerente sugere: “Vamos fazer uma previdência”.
Certamente este não é o objetivo do produto. Até porque a tributação da previdência privada é muito mais alta que as demais aplicações para prazos mais curtos.
 
 

Problema 2: Não basta depositar qualquer quantia para ter uma previdência tranquila

As pessoas devem poupar sempre, qualquer que seja o valor, para terem uma reserva para emergências, ou mesmo para adquirirem algum produto ou serviço no futuro. Até porque poupar é mais importante que investir.
Entretanto as pessoas devem evitar o autoengano. Explico: tem gente que ganha R$ 3,5 mil e pensa que, se fizer um plano de R$ 50,00 por mês, terá uma renda extra na aposentadoria.
Se considerarmos os custos (que veremos no próximo problema), você verá que boa parte do valor investido vai para a empresa que vendeu o plano.
 
 

Problema 3: Os custos do plano são importantíssimos (e nunca prestamos atenção neles)

O problema dos custos é um dos mais sérios na questão dos planos de previdência. A esmagadora maioria das pessoas não está nem aí para eles (taxas de administração e carregamento) nem sabe da sua existência.
Apenas para exemplificar, vamos comparar um fundo do tipo VGBL que cobre taxas de administração de 1% ao ano e de 3% ao ano.
Se investir R$ 100, por 35 anos, você acumularia algo em torno de R$ 198 mil, se a taxa fosse 1% ao ano. Se optasse por um plano mais caro (3% a.a.), o valor acumulado seria de R$ 124 mil. Notou a “pequena” diferença?
Pesquise bastante antes de escolher seu plano de previdência privada.
 
 

Problema 4: Cuidado com as simulações

Você já deve ter ouvido falar que o papel aceita tudo. Muito bem, o simulador da previdência também.
Dependendo das taxas que você utilizar, o computador será capaz de transformar poucos depósitos mensais de R$ 100 em milhões. Veja no problema anterior aonde chegaria, aproximadamente, seu depósito mensal de R$ 100 após 35 anos.
Na hora de vender o plano vale tudo (até que você pegue esse “tudo” e vá discutir no âmbito do Código de Defesa do Consumidor na Justiça). Lembre-se que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura.
 
 

Problema 5: Planejamento sucessório

Se você visitar a página dos bancos que, em nome de suas seguradoras ou empresas de previdência, oferecem esses planos, verá afirmativas do tipo “você escolhe para quem deixará seu dinheiro ali depositado, sem passar pelo inventário”.
Tenha cuidado para não abusar dessa declaração. Se houver algum tipo de disputa judicial, o dinheiro do plano irá para o inventário. Se as regras de sucessão estiverem cumpridas, tudo bem. Caso contrário, não será o plano de previdência que irá resolver a situação.
 
 

Problema 6: Imposto sobre Herança

Outro argumento bastante utilizado é o imposto sobre herança (imposto sobre transmissão de bens). Os recursos do plano não estão sujeitos a tal imposto.
O problema é o seguinte: qual a taxa de administração e carregamento do fundo?
Imagine que seu estado cobre 4% de alíquota do imposto. Se o carregamento for de 2,5% e a taxa de administração de outros 2% (supondo que uma taxa razoável seria inferior a 1% a.a.), logo de entrada você já pagou o imposto de transmissão estando vivo!
Cuidado com os argumentos de venda e faça as contas.
 
 

Conclusão

Pense seriamente antes de contratar um plano de previdência privada. Avalie bem os pontos relativos às características tributárias, de carteira, e de liquidez, isto é, quais as limitações para sacar o dinheiro.
Lembre-se de que há vários provedores de planos de previdência privada que você pode consultar antes de fechar o contrato com algum deles.
Se você já fez seu plano de previdência, foi ler o contrato e viu que tudo isso que mencionei aparecia por lá, há uma solução: a portabilidade.
Você pode, assim como faz (ou pode fazer) com sua linha telefônica, transferir o dinheiro aplicado em um plano de previdência para outro, desde que respeitado o mesmo regime tributário (VGBL para VGBL e PGBL para PGBL).
Há prazos de carência a observar, mas o fornecedor do novo plano terá todo o prazer em explicar tudo direitinho para você. Se for fazer a portabilidade, procure o outro fornecedor antes.
Para saber mais sobre esse assunto (ou qualquer outro relacionado a produtos bancários), recomendo a leitura do ótimo livro Case com seu banco com separação de bens, do amigo Beto Veiga, principal fonte deste artigo.
Bons investimentos!
 
 



Publicado em 18.02.2013 por em Aposentadoria



Imagem de Rafael Seabra

Rafael Seabra é educador financeiro, MBA em Finanças pelo Ibmec, editor do Quero Ficar Rico, um dos sites de maior audiência do país na área de Educação Financeira, e autor do livro Como Investir Dinheiro. No Twitter: @QueroFicarRico


fonte: Quero ficar rico - educação financeira

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