TRABALHO x VIDA PESSOAL








Precisamos parar de fingir que

o equilíbrio entre

o trabalho e a vida pessoal

é uma questão só das mulheres

     


PEOPLE SILHOUETTE


        
É hora de todos saírem do armário.


Não daquele armário. Estou falando da armadilha do colarinho branco onde aqueles de nós, que desejamos ter uma vida fora do escritório, escondemos nossos verdadeiros sentimentos e ao invés disso fingimos que trabalhamos o tempo todo. A maioria de nós tem um pé no armário, fingindo até certo ponto que estamos amarrados ao nosso e-mail 24 horas do dia, 7 dias por semana (24/7), que de alguma forma nos tem privado de ter uma vida pessoal.


Este pensamento ficou me rondando ainda mais após eu ler a pesquisa de uma renomada empresa de consultoria onde diz que muitos homens fingem trabalhar 80 horas por semana para serem considerados empregados estrela.


Estes homens enfrentam o mesmo tipo de problema de equilíbrio entre trabalho e família que as mulheres, mas o problema dos homens recebe muito menos atenção. E isso é uma vergonha.


"As questões de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho não são apenas questões para as mulheres. Até em trabalhos de prestígio os homens estão enfrentando desafios na mesma velocidade que as mulheres, mas devido a esperarmos coisas diferentes dos homens e das mulheres, os homens desenvolveram estratégias diferentes", disse Erin Reid, professora assistente na Questrom School of Business da Universidade de Boston, que conduziu o estudo, ao The Huffington Post.


Reid e outros pesquisadores entrevistaram 82 consultores de uma empresa, que ela apelidou de AGM (nome fictício). Ela também olhou as avaliações de desempenho dos consultores e falou com ex-funcionários. Reid escreveu sobre suas descobertas no Harvard Business Review e numa pesquisa mais longa para a Revista Organization Science. Eles foram mais tarde reportados pelo New York Times.


A cultura na AGM, como muitas grandes empresas de consultoria e escritórios de advocacia, é basicamente a de incluir horas. Espera-se que os consultores se dediquem inteiramente ao trabalho e estejam disponíveis a qualquer momento tanto para os clientes quanto para a empresa para fazer o trabalho: 60 a 80 horas semanais de trabalho são a norma.

 Um consultor diz o seguinte na pesquisa de Reid:
Você sabe quem são as pessoas da AGM, nós estamos ligados nos nossos BlackBerries. Nós estamos pensando sobre o nosso trabalho 24/7. Quero dizer que talvez você até dê uma escapadinha aqui e ali, mas as pessoas da AGM trabalham o tempo todo, o tempo todo mesmo. Quero dizer, você acorda de noite e está sonhando com isso. A primeira coisa que você faz é pegar o seu BlackBerry e você fica nele a manhã inteirinha. Você chega no escritório, você está trabalhando durante o dia, você se senta na sua mesa e você está cancelando os seus planos, sabe.


Quanto mais comprometido e extremo você for, maiores as recompensas, melhor será o seu desempenho e mais rápido você será promovido.


Muito tem sido escrito sobre como este tipo de cultura pune as mulheres, especialmente as mães. Menos atenção tem sido dada à forma como isso afeta os homens.


"A ideia principal parece ser de que esses empregos exigem que você trabalhe o tempo todo e que as mulheres têm dificuldade, mas os homens não. Isso não fazia sentido para as pessoas que eu conheci na minha vida", disse Reid ao The Huffington Post ao explicar por que ela fez o estudo". Os homens que eu conheço não são superfelizes trabalhando o tempo todo."


A maioria dos consultores do sexo masculino entrevistados por Reid se sentiam muito mal com a mentalidade de sempre terem que estar conectados. Alguns queixaram-se "das crianças chorando quando viam que seu pai perderia o jogo de futebol delas, da saúde ruim e vícios causados pela forma como eles trabalhavam, e uma sensação geral de estarem 'sobrecarregados e ausentes da família'" escreve Reid.


Não era esperado que as mulheres na empresa - especialmente as mães - trabalhassem tanto quanto os homens. O departamento de RH tinha políticas formais para ajudá-las - mulheres pediam horas de trabalho reduzidas, licença maternidade, etc. Essas acomodações vieram com sanções, de acordo com o estudo de Reid. As mulheres que pediram flexibilidades não foram consideradas "trabalhadoras ideais verdadeiras", escreveu.


"Elas foram, consequentemente, marginalizadas dentro da empresa."


Os homens que pediam ajuda formal também foram prejudicados. Um deles pediu um período de três meses de licença paternidade não remunerada, algo que seu empregador está legalmente obrigado a oferecer, graças à Lei de Licença Médica de Família. "Eu achava que essa era a única vez na minha carreira que eu seria capaz de fazer isso", ele disse à Reid. "Mas a reação inicial que eu tive dentro da empresa foi 'Oh, não. Você não pode ficar três meses fora'".


Ele aceitou seis semanas não remuneradas - e trabalhou duro o resto do ano. Isso não ajudou muito. Ele perdeu uma promoção já que o seu supervisor disse que eles não puderam avaliar seu desempenho naquele ano com tal lacuna no seu trabalho.


Muitos outros homens na AGM - e algumas mulheres - descobriram uma nova maneira de obter o equilíbrio que eles queriam: fingindo. Eles descobriram como estruturar o seu trabalho para que parecesse que faziam as 80 horas - mas realmente eram umas 50.


Homens encontravam clientes locais que exigiam menos viagens. Eles estrategicamente enviavam por e-mail horas para parecer que eles estavam trabalhando a noite inteira ou nos finais de semana - uma manobra que eu tenho certeza que muitos de nós podemos nos identificar.


Um homem descreveu ter levado sua família em uma viagem de esqui de cinco dias - no horário de trabalho. Do estudo de Reid:
"Eu esquiei cinco dias na semana passada. Eu atendi as ligações de manhã e de noite, mas eu pude estar lá para o meu filho quando ele precisou de mim, e eu pude esquiar cinco dias direto", diz Reid. Ele esclareceu que esses eram dias de trabalho e não dias de férias:
"Não, ninguém sabe onde estou...Esses limites só são possíveis com a minha base local de clientes.... Especialmente por sermos móveis, não há limites."


No Facebook, um dos meus amigos se inspirou nos fakes: "Mulheres, eis o que podemos aprender com os homens, não pedir permissão, mas fazer o que precisa ser feito para sermos bem-sucedidas no trabalho e em casa", ela escreveu compartilhando o texto acima.
Mas talvez o caminho para o sucesso não comece com todo mundo fingindo que a cultura 24/7 é ok e tentando encaixar suas vidas nela.


Imaginem se cada vez mais trabalhadores simplesmente se rebelassem contra a cultura de dar as caras? Ou se as empresas como a AGM começassem a entender que as pessoas podem ter uma vida fora do escritório - e ainda assim serem trabalhadores dedicados.


"As organizações precisam mudar", disse Reid, que tem ouvido de muitos que sabem bem como é a cultura da AGM. Talvez as empresas de prestígio não devessem ter a expectativa que os trabalhadores assinem 60 horas por semana e que estarão disponíveis para viajar a qualquer hora, disse Reid.


Mesmo assim ela não espera qualquer mudança na AGM. A empresa pode agora entender que tem um problema, mas Reid disse que eles não têm feito muito a respeito desde que ela apresentou seus resultados em 2011.


Tradução: Simone Palma


Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.


FONTE:
Publicado: Atualizado:
BRASIL POST


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