CURIOSIDADE: EFICIENTE INVESTIDOR-MIRIM



mas já investe melhor que você


GAROTO INVESTIDOR


Luis Felipe Mattiuzzo tem apenas dez anos de idade, mas investe em ações há mais de dois anos.
 
A bolsa faz parte da sua rotina, assim como jogar futebol, videogame e brincar com os amigos.
 
"Eu sou uma criança normal, a diferença é que eu invisto", diz o pequeno investidor, que está no sexto ano do ensino fundamental.
 
 

Na tarde desta quinta-feira (17), Luis Felipe recebeu a equipe de EXAME.com para uma entrevista no escritório de seu pai, Gerson Mattiuzzo Jr, onde normalmente ele realiza seus investimentos.

A sala do pai, que é gerente executivo de uma fábrica de telas metálicas, tem uma mesa com um computador só para ele, onde Luis guarda planilhas com as informações sobre as empresas nas quais investe, mas onde também estão instalados games como o Minecraft, que é o seu preferido.

Ele conta que inicialmente seu pai investia em seu nome, mas com o tempo passou a gostar da coisa. E o interesse foi tanto que Luis Felipe enviou uma carta ao presidente da bolsa, Edemir Pinto, que ficou surpreso com a esperteza do garoto e o recebeu para um almoço na sede da BM&FBovespa no início do mês.

Em um dos trechos da carta, Luis disse que gosta muito de ler gibis e que seu personagem favorito é o Tio Patinhas, "porque ele é muito rico". "Na vida real, os meus ídolos são John D. Rockefeller, J. Paul Getty, Warren Buffet, Jorge Paulo Lemann e Lirio Parisotto. E o senhor também deve ser um homem muito poderoso porque é o presidente da Bolsa de Valores", disse o pequeno investidor em sua cartinha.

Ele também participou da última assembleia de acionistas da BM&FBovespa e conheceu Luiz Barsi Filho, um dos maiores investidores da bolsa brasileira.

Luis Felipe tem uma carteira formada por sete ações e cotas de dois fundos imobiliários. Ele já recebeu mais de 4 mil reais em dividendos nos últimos dois anos, como resultado de investimentos realizados com sua mesada, que varia entre 500 e mil reais por mês.

Os dividendos são os lucros que as empresas repassam aos seus acionistas. Ou seja, mesmo sem se desfazer das ações, o que poderia garantir eventuais lucros na venda, apenas com os dividendos ele já obteve um rendimento que deixaria adultos de boca aberta.

Gerson Mattiuzzo diz que sempre está por perto do filho quando ele acessa o homebroker, plataforma na qual são realizadas as negociações em bolsa. "Uma vez ele ficou super assustado porque uma plataforma da Petrobras tinha afundado e queria vender as ações. Eu expliquei que o foco dele deve ser o investimento no longo prazo e que ele não deveria ficar preocupado com o noticiário", diz.
Confira, no vídeo a seguir, os principais trechos da entrevista com Luis Felipe e seu pai.









Educação financeira

Cássia D'Aquino Filocre, especialista em educação financeira, comenta que o fato de uma criança de dez anos se interessar pelo investimento em ações é natural, à medida que crianças se interessam pelos mais variados assuntos, como ballet, artes plásticas, músicas, etc.

Mas, ela alerta que as aptidões dos filhos não podem resultar em exageros dos pais. "Se a criança não concentra um excesso de energia nisso não tem problema. Mas é a história da papinha e da feijoada: os pais devem tomar cuidado para não dar feijoada para um bebê porque essa é a fase da papinha e a feijoada com certeza será indigesta", diz Cássia.

Ela acrescenta que não há problema algum em estimular o interesse da criança por algo que ela demonstra ter talento, o problema é quando a questão começa a tomar uma dimensão e importância maior do que a desejada para sua idade, o que pode afetar sua possibilidade cognitiva e seu desenvolvimento psicológico.

O foco excessivo da criança em um assunto, segundo a educadora, pode atrofiar o seu aprendizado em outros aspectos. Esse tipo de exagero é especialmente preocupante quando o assunto é dinheiro.
Em primeiro lugar, Cássia afirma que a criança deve entender que gastar é tão importante quanto investir. "Os pais devem estabelecer objetivos para o uso do dinheiro. Acumular por acumular já é algo discutível, para uma criança então nem se fala. Ela precisa compreender que o dinheiro é apenas um meio para alcançar objetivos", diz.

Em segundo lugar, Cássia diz que é essencial que os pais coloquem o dinheiro em seu devido lugar. "O dinheiro não pode ser a coisa mais importante na vida de alguém, não importa se ela tem dez, 30 ou 50 anos. Os sentimentos são sempre muito mais importantes e todo ganho e uso do dinheiro deve ser regido pela ética", afirma.

A especialista ainda recomenda que, ao se depararem com aspirações que contenham uma boa dose de utopia - como se tornar um presidente da República, o Ronaldinho ou a Taylor Swift - os pais mostrem aos filhos que a vida é cheia de possibilidades, que vão muito além da fama e do dinheiro.


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